Guido Viaro

 

Guido Pellegrino Viaro, filho de João Batista Viaro e Santina Solda Viaro, nasceu na Badia Polesine Província de Sargo, em Vêneto, na Itália em 09 de setembro de 1897. Seus pais eram agricultores e nessa cidadezinha freqüentou o curso primário e ginasial.

Já em sua meninice despertou em seu íntimo a veia artística ao observar a tonalidade das cores que se modificavam ao anoitecer e os camponeses que com ele conviviam.

Aos nove anos de idade iniciou seus estudos sobre pintura em sua terra natal, em uma escola noturna que não permitia a entrada de crianças, mas que, por influência de seu tio que era amigo de um professor, abriu uma exceção.

Segundo o comentário de seu filho Constantino Viaro, durante a inauguração da nova sede do CJAP, " O prazer que ele mesmo teve em sua infância, em perceber o mundo apaixonante das artes, com os seus tios, o pintor Antonio Viaro e o escultor Ângelo Viaro, ainda na Itália – e que transformou sua vida ", fez com que ele fosse um porta-voz e defensor incansável da arte na educação.

Aos quatorze anos de idade, Viaro envia uma pintura para uma mostra realizada em Veneza, era uma paisagem retratando sua pequena Badia Polesine, impregnada de uma gama de cores. Impressionado, seu tio Ângelo, decide incentivar a carreira de talento que estava estampada naquela bela paisagem e agilizar a mudança de Viaro para Veneza, onde inicia seus estudos de pintura. Posteriormente, parte para Bolonha, com a intenção de complementar essa atividade.

Em seus escritos Viaro diz: “Sempre sonhei de olhos abertos com viagens e terras distantes, aguardando chamados impossíveis”. (Viaro, Guido. Artista e Mestre, p.36).

Na primeira Guerra Mundial, o jovem Viaro é convocado pela marinha italiana para servir em Veneza.

Em 1921, inicia sua carreira de Mestre de Desenho na modesta Escola Artística de Badia. Embora atraído para o magistério, havia muitas dificuldades que o impediam de realizar suas aspirações, em virtude das dificuldades no campo do ensino, face aos critérios estabelecidos pelo regime político vigente.

 

Após um período em Roma, foi morar e estudar em Paris. Influenciado, em parte, pela formação que teve, sua pintura demonstrava um estilo pré-renascentista italiano, entretanto o artista também admirava o trabalho dos muralistas modernos mexicanos, que na época revolucionavam a arte mural. Segundo alguns biógrafos, quando Viaro estava a caminho do México desembarcou no Brasil. Aqui colaborou como cartunista em jornais. Autodidata e sem diploma, não lhe era permitido ser pintor, ainda assim, consegue uma exposição individual.
 

Quando chegou em Curitiba sofreu o impacto de uma cidade pequena e com poucas pessoas interessadas em arte. Voltou-se para uma grande batalha didática, procurando ensinar desenho em escolas. Seu objetivo era melhorar a mentalidade artística dominante e chamar a atenção do governo para esse setor de ensino. Conseguiu emprego de “professor de desenho” em diversos colégios e ao mesmo tempo montou um atelier.

Sua primeira “Escola de Arte Guido Viaro” ficava numa das dependências da Sociedade Dante Alighieri.

Conhece Yolanda Stroppa, filha de uma tradicional família de Curitiba com quem casa-se em 1935, constituindo família.

 

 

Como professor de arte em escolas públicas de Curitiba, percebeu a forma espontânea, autêntica e expressiva dos desenhos e pinturas de seus alunos e decidiu criar um espaço para exercício e desenvolvimento da arte. Viaro dedicou mais de 40 anos de sua vida estimulando gerações de pintores que compõem o cenário atual.